"A delação do Cid: Tortura. Vocês viram parte dos vídeos vazados agora. Foi tortura. O Alexandre de Moraes ameaçando o pai, a esposa e a filha dele, e ele (Cid) mudando os seus posicionamentos. Isso quando ocorreu lá atrás, algo parecido ou mesmo grave do que isso até, anularam-se praticamente todos os processos da Lava Jato".
Jair Bozonaro
Vamos por partes, como diria Jack.
1. Processos da Lava Jato foram anulados quando se comprovou (pelo STF) que não havia provas concretas para denunciar, processar, julgar e condenar o ex-presidente Lula. Moro foi considerado até, pelo Supremo, como juiz suspeito. E vamos lembrar como esses senhores construíram a história: Lula julgado, condenado e preso (não podendo disputar eleição...), Moro virou ministro da Justiça do governo Bozo.
2. Não houve tortura nenhuma para Cid fazer a delação. O que Moraes fez foi simplesmente cumprir o rito de uma audiência dessa: Explicou para o depoente que consequências ele poderia sofrer caso mentisse na hora de delatar. Não houve "ameaça". E o ministro do STF não fez isso (explicar o que poderia acontecer...) nem porque ele é "bonzinho" nem porque ele é "ameaçador". É obrigação do magistrado. Justamente para que o delator depois não diga "ah, mas ele não me disse o que aconteceria comigo se eu não dissesse a verdade..."
3. E ainda: Chega a ser "comovente" a preocupação do Bozo com direitos humanos, com o respeito que deve existir com alguém na hora de uma delação ou da coleta de depoimento de algum acusado. Preocupado que o depoente não seja torturado.... Só que não...
Vamos aos fatos: 25 de maio de 1999. O então deputado federal Jair Bolsonaro atacou Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, que se recusou a prestar depoimento na CPI dos Bancos na condição de testemunha. Bozo mandou essa em entrevista à TV Bandeirantes:
"Dá porrada no Chico Lopes. Eu até sou favorável que a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona! Eu sou favorável à tortura, tu sabe disso. E o povo é favorável a isso também".