Andy Warhol (1928-1987) disse uma frase celebre e profética: "No futuro, todo mundo será famoso por 15 minutos". A feminista radical e aspirante a escritora, Valerie Solanas (1936-1988) não perdeu tempo e usou os 15 minutos dela justamente contra o autor da expressão: meteu 3 balaços em Warhol no dia 3 de junho de 1968. Ele não morreu, mas ficou com sequelas por mais alguns anos até perder a vida, em 1987, depois de uma cirurgia ainda relacionada aos tiros que levou.
Essa história é contada no filme "Um Tiro para Andy Warhol" ( "I Shot Andy Warhol",1996), dirigido por Mary Harrom, com Lili Taylor como Solanas e Jared Harris como Warhol. A produção, é bom que se diga, é mais focada na vida de Valerie Solanas. Sua infância quando foi abusada sexualmente pelo pai; a adolescência quando desenvolveu o ódio pelos homens, e começou a se prostituir para sobreviver nas ruas de Nova York.
Já adulta, ainda perambulava pela Big Apple pedindo esmolas e tentando vender cópias xerocadas do manifesto que escreveu "Scum" ("Escória"), uma espécie de manual para eliminar (não no sentido de matar...), mas para deixar os homens à margem da sociedade. Apesar de todas as dificuldades, ainda conseguiu se formar em psicologia.
Era publicamente lésbica. Afirmava que os homens eram seres inferiores e que não serviam nem para procriar porque a ciência já permitia ter filhos sem uma relação sexual. Devido a todos os problemas que enfrentou, era profundamente atormentada.
Decidiu escrever uma peça que tratava das relações homem-mulher. Conheceu o mestre da pop arte, Andy Warhol, e encasquetou que ele deveria lhe dar apoio financeiro para exibir o que era considerado "teatro underground". Para azar dela - e do próprio papa da pop arte - Warhol não lhe deu muita atenção e muito menos dinheiro. Ele chegava, em algumas situações a ridicularizá-la. E o séquito de puxa-sacos dele riam da cara da moça.
Enfurecida, arranjou uma pistola Beretta calibre .32 semiautomática e mandou chumbo no artista que usava uma peruca platinada. O filme começa com o atentado e daí passa para um imenso flashback que conta toda a história até chegarmos ao crime.
Bora destacar que Jared Harris está muito bem como Warhol. Mas é Lili Taylor que brilha na interpretação de Solanas. O típico "filme de personagem". Tanto é verdade que Roger Ebert (1942-2013) considerado o maior crítico de cinema nos Estados Unidos, disse que Taylor trouxe profundidade para a personagem e não apresentou uma simples caricatura. Também elogiou a forma como foi recriada a "Factory" - estúdio de criação de Andy Warhol - que ficava no quinto andar de um prédio comercial antigo.
Críticos brasileiros torceram o nariz para o filme na década de 1990, quando foi lançado. Escreveram que tratava o trabalho de Warhol e o "clima" na "Factory" de forma superficial. Com certeza não entenderam o filme. A produção não é sobre o mestre da pop arte. Mas o perfil da pessoa perturbada que tentou matá-lo por se sentir enganada e humilhada.
O filme é considerado "Cinema Independente" por ser de baixo orçamento. E olha que legal/ curioso:
Na trilha sonora tem duas músicas brasileiras: "Samba de Uma Nota Só" (Tom Jobim) e "Mas Que Nada" ( de Jorge Benjor -ainda creditado como Jorge Ben - interpretada por Sérgio Mendes e banda).
* O filme está disponível (de graça) no YouTube.
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