quarta-feira, 7 de outubro de 2026

𝗞𝗔𝗦𝗦𝗔𝗕 JÁ DECIDIU COMO VAI SE COMPORTAR NO 𝐒𝐄𝐆𝐔𝐍𝐃𝐎 𝐓𝐔𝐑𝐍𝐎

   




         Ele é o político mais cortejado no Brasil. Afinal, Gilberto Kassab preside o PSD e controla o chamado "Centrão". Analistas políticos preferem tucanar esse poder dele: Navega com extrema habilidade no pragmatismo desse bloco. Bonito, né? Acadêmico, né? Mas é a mesma coisa na língua do povão.  
    E olha só o poder do homem, já com o resultado das eleições de 2026: 245 votos na Câmara Federal e 22 senadores. 
    Mais do que normal as duas candidaturas do segundo turno (Lula, PT, e Flávio, PL) procurarem Kassab. O Partido dos Trabalhadores já conversou com ele.
    Veja o que o presidente do PT, Edinho Silva, ouviu de resposta:
    "O Kassab disse que o PSD ficará na neutralidade, mas que nós temos toda a liberdade de procurar as lideranças do PSD para dialogar. É isso o que nós vamos fazer".
    Pode não ser a resposta esperada. Mas é melhor do que ouvir: "Vou apoiar o Flávio!"
    Gilberto Kassab representa bem o que é ser líder de um grupo chamado Centrão: Já foi ministro no governo Dilma (PT): Ministro das Cidades. Deixou o cargo porque o partido dele apoiou o impeachment de Dilma Rousseff... Mas não ficou longe do poder. No governo de Michel Temer (que ficou no lugar de Dilma) foi ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
    Mais: foi secretário estadual em São Paulo nos governos João Dória e Tarcísio de Freitas...
    Bastidor político é com ele. Vai da esquerda à direita, passando pelo centrão.
    Lula ou Flávio. Pode esperar Kassab (ou uma indicação dele...) no ministério de um deles. 
    "Ah, mas ele perdeu a eleição no primeiro turno!" Perdeu?
    Ele tira as meias sem descalçar os sapatos!

    * A imagem tem o auxílio da I.A.



𝗟𝗨𝗧𝗢 NAS ARTES PLÁSTICAS: MORRE 𝗝𝗨𝗔𝗥𝗘𝗭 𝗠𝗔𝗖𝗛𝗔𝗗𝗢

    



       Morreu, aos 85 anos,  nessa quarta-feira, 7, em Vassouras (RJ), o artista plástico Juarez Machado. Ele tinha Alzheimer. Com a saúde enfraquecida, teve pneumonia e sofreu um infarto.
    Juarez Busch Machado nasceu em Joinville, Santa Catarina, em 16 de março de 1941. Com 18 anos, em 1959, mudou para Curitiba, onde estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Na década de 1960, se mudou para o Rio de Janeiro onde morou por 20 anos. Além do desenho e da pintura, também ficou famoso por trabalhos com humor. Fez mímicas no programa Fantástico da TV Globo e foi chargista dos principais jornais do país.  No cinema fez desenhos para a abertura do filme "Uma Pantera em Minha Cama" (1971).
    No fim da década de 1970 buscou uma carreira internacional. Passou por Nova York e Londres. Em 1986 foi morar em Paris, onde montou um ateliê. Artista premiado, fez exposições no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. 
    Além da pintura, da mímica e da charge, também foi desenhista, escultor, caricaturista, cenógrafo, escritor, fotógrafo, ator e designer. O que hoje se chamaria de um artista multiplataforma. 
    Em Joinville, existe o Instituto Internacional Juarez Machado na casa onde morou. Um dos teatros da cidade também tem o nome dele.

                                   

Juarez Machado no Fantástico









terça-feira, 6 de outubro de 2026

𝗟𝗨𝗟𝗔: UM POLÍTICO 𝗔𝗡𝗔𝗟Ó𝗚𝗜𝗖𝗢 NUM MUNDO 𝗗𝗜𝗚𝗜𝗧𝗔𝗟

                                           



       No filme "Duro de Matar 4.0" (2007), Bruce Willis (que interpreta o detetive John McClane) enfrenta  ciberterroristas que atacam as bases digitais dos Estados Unidos. Ao perceber que está desatualizado para encarar os criminosos, Willis larga uma frase que define o personagem:
    "Sou um tira analógico num mundo digital". 
     Esse é o resumo do contraste dele - no estilo antiquado, o que os americanos chamam de "old school" - um cara acostumado apenas a dar tiros e porradas, a reconhecer bandidos apenas por arquivos de fotos, e ter dificuldades de enfrentar as ameaças de ataques com tecnologias modernas.
    Da ficção para a realidade (que aqui não são muito diferentes): o presidente Lula (PT), 80 anos, tem um estilão meio McClane. Não pela idade, porque ele aparece estar melhor do que gente bem mais nova.  Mas, na campanha, mostra usar os mesmos métodos dos tempos do sindicalismo do ABC. 
    É uma pessoa muito bem informada. Discute qualquer tema. Mas o que se fala, aqui, é sobre o estilo dele. Sim! É carismático! Sim! É comunicativo! Mas ao fazer política, não fala para o público jovem.
    A equipe dele precisaria (será que vai dar tempo? Não, sei, mas tem que tentar...) de um "choque de realidade". Pessoas que entendam (mais!) da comunicação das redes sociais . São nelas que hoje acontecem os "comícios". Com vídeos curtos que ficam rodando o dia todo...
    Os velhos companheiros são importantes. E Luís Inácio mostra publicamente que não larga da mão deles. Mas não existe um "PT Jovem"?  Onde está a "Ala dos Jovens Progressistas" também de outros partidos que se elegeram esse ano para a Câmara? 
    Lula já marcou uma reunião com eles? Contanto esse terça-feira, 6, faltam só 20 dias para a eleição no segundo turno. Chama essa gurizada com urgência! Pergunta o que eles fizeram para conquistar uma vaga em Brasília. 
    Aprende com a piazada, pô! De redes sociais, eles entendem tudo.
    Todas as políticas sociais e econômicas implementadas em 3 governos de Luís Inácio são importantes. Mas o eleitor pergunta: "Tá, você já fez tudo isso. Mas o que mais você vai fazer?" Programas que sejam importantes para o trabalhador, para o idoso, mas também para os jovens. 
    De alguma maneira tem que mostrar que ele tem respostas para quem está entrando no mercado de trabalho ou quer trabalhar de forma autônoma, que não quer bater cartão e ser empregado.
    No filme,  "Duro de Matar" luta e sobrevive.  Espero que o governo Lula sobreviva com a eleição.

                 

* Imagem com auxílio da I.A.

  




ELEIÇÕES: A 𝗚𝗥𝗔𝗡𝗗𝗘 𝗢𝗡𝗗𝗔 DA EXTREMA DIREITA QUE 𝗔𝗧𝗜𝗡𝗚𝗜𝗨 𝗢 𝗕𝗥𝗔𝗦𝗜𝗟

                                           




        Domingo, 4 de outubro de 2026. Um tsunami atingiu o Brasil de norte a sul. A enorme onda conservadora veio dar na praia e pegou muita gente. Nesse dia, já no primeiro turno das eleições, 13 governadores de partidos de direita foram eleitos. Sem contar os que ainda podem ganhar o poder no segundo turno.
    No Senado, o vagalhão que veio da extrema direita também lavou: Elegeu 33 senadores. Somados aos 16 que já estão lá, são 49 de um total de 81 cadeiras. Só o PL (partido de Flávio Bozonaro) elegeu, sozinho, 19 senadores.  A posse dos eleitos é 1º de fevereiro.
    Na Câmara Federal está assim: A direita elegeu 276 parlamentares. A esquerda conquistou 124 cadeiras. Os partidos considerados de centro elegeram 113 vagas.  Como, tradicionalmente, o centro vota mais em pautas da direita, os conservadores devem ter  389 votos de um total de 513 assentos.
    O tsunami ultraconservador vai ganhando  força a cada eleição. Sinal de que o eleitor rema cada vez mais  para a direita. 
    A esquerda precisa aprender a nadar.


    * A imagem tem o auxílio da I.A.







segunda-feira, 5 de outubro de 2026

"𝘽𝙍𝘼𝙎𝙄𝙇 𝙉Ã𝙊 𝘼𝙂𝙐𝙀𝙉𝙏𝘼 𝙈𝘼𝙄𝙎 𝙋𝙊𝙇𝘼𝙍𝙄𝙕𝘼ÇÃ𝙊!" .... 𝗢𝗜???!!!

    



    É o que mais se ouve no Brasil. E não é de agora, do período eleitoral. Já vem de algum tempo: "Ah, eu não aguento mais polarização!" ... "Ah! O Brasil tá polarizado!" ... "Ah, eu quero uma terceira opção!"....
    Sei! Na hora de ir votar, quem a maioria absoluta dos brasileiros escolheu no primeiro turno de 2026? Ou Flávio Bozó (PL) ou Lula (PT). O placar foi bem dividido: 47,03%  x  45,16%. 
    Meio a meio. Mezzo a mezzo.
    E não me venham com aquele papinho de que "não tínhamos escolha!" Tinham, sim! Principalmente a galera da direita. Todos os outros candidatos melhores colocados eram da direita, do centro-direita ou da extrema direita. Ou seja, cardápio farto!
    O terceiro colocado, Augusto Cury, atenderia bem a esse público de direita que não se considera "radical". Será que esses eleitores leram (!) o programa básico de governo do escritor e psiquiatra? Em linhas gerais era: 
    Liberalismo econômico, empreendedorismo, valorização da produção, meritocracia (eita!), direitos humanos, educação de qualidade, saúde mental e combate à violência contra a mulher e à fome.
    Ele é filiado ao partido Avante.  Cury rejeita a polarização entre esquerda e direita. Se diz de centro. Taí, não é o que o eleitor brasileiro tanto fala que tanto quer? Mas... será???
    A propósito: Agora, na dita polarização, o Brasil se vê numa situação muito mais perigosa do que se imagina. A disputa no segundo turno vai ser entre civilização ( o campo democrático que vai da esquerda, passa pelo centro e chega ao centro-direita) e a barbárie ( o clã miliciano que já tentou dar um golpe contra o estado democrático de direito).
    No segundo turno, pode crer, não vai ser uma escolha difícil. 

    * A imagem tem o auxílio da I.A.








    

𝗖Â𝗠𝗔𝗥𝗔 𝗙𝗘𝗗𝗘𝗥𝗔𝗟 : A 𝗕𝗔𝗡𝗖𝗔𝗗𝗔 𝗣𝗥𝗢𝗚𝗥𝗘𝗦𝗦𝗜𝗦𝗧𝗔 VAI SER MENOR, MAS 𝗩𝗘𝗠 𝗙𝗢𝗥𝗧𝗘!

   




     


       A maior parte da nova Câmara Federal vai ser formada por conservadores e ultraconservadores. Mas não é terra arrasada (eita, lá vem o bordão...). A bancada progressista é menor, mas vem forte. Com nomes representativos em todas as regiões e em alguns estados.
    Começamos com Renato Freitas que fez 115.227 votos. E ele é um sobrevivente no sistema político. Tentaram cassá-lo duas (!) vezes e resistiu. Ana Júlia com 184.691 votos e Carol Dartora conseguiu 101.823 votos. Os três do Paraná. Os três do PT.
    Em Pernambuco, Jones Manoel (PSOL) conquistou 249.077 votos.
    Natália Bonavides (PT), no Rio Grande do Norte, conseguiu 215.509 votos. A maior votação do estado.
    No Rio Grande do Sul, com 173.788 votos, Maria do Rosário foi reeleita pelo PT.
    Giovana Mondardo (PCdoB) recebeu 114.792 votos em Santa Catarina.
    Em Minas Gerais, Pedro Rousseff (sobrinho-neto de Dilma) conquistou 118.567 votos.
    Glauber Braga (PSOL) com 86.314 votos; Jandira Feghali (PCdoB) com 74.409 votos; Pastor Henrique Vieira (PSOL)  com 77.584 votos; e Lindbergh (PT) com 181.768 representam o Rio de Janeiro.
    Em São Paulo, Erika Hilton ( 1.596.383 votos - a mulher mais votada da história da Câmara Federal) Sâmia Bomfim ( 583.107 votos); Natália Boulos, esposa de Guilherme Boulos (114.552 votos) e Sônia Guajajara (54.207 votos), todas do PSOL.
    Independentemente quem seja o presidente da República eleito, essa bancada (também com outros parlamentares progressistas) vai ter muito trabalho até 2030...
    Todos os deputados federais eleitos em 2026 tomam posse dia 1º de fevereiro de 2027.


𝟮º 𝗧𝗨𝗥𝗡𝗢: LULA FALA EM "𝗣𝗥𝗢𝗥𝗥𝗢𝗚𝗔ÇÃ𝗢" ... PREFIRO "𝗝𝗢𝗚𝗢 𝗗𝗘 𝗩𝗢𝗟𝗧𝗔"

                                       



    Como bom amante do esporte bretão que é, o presidente Lula se referiu ao segundo turno como a "prorrogação" do jogo eleitoral.  Como são dois turnos, prefiro encarar como dois jogos. Duas partidas diferentes. Jogos de "ida e de volta".
    No "jogo de ida", Flávio Bozonaro (PL) saiu na frente. Com 100% das urnas apuradas, fez exatos 56.104.503 votos. Lula (PT) ficou com 53.879. 538 votos. Diferença de 2.224.965 votos. 
    Flávio fez 47,03%  e Lula, 45,16%. 
    E a coisa só mudou, no final da apuração, com a entrada dos votos do nordeste. Pra variar, né... Teve um momento na contagem de votos, que o senador bozonarista estava vencendo por quase 9 pontos de diferença e estava ganhando no primeiro turno. Fazia 50,2 a 41,6.
    É como se na primeira partida da decisão do campeonato um time abrisse 2 a 0 e só nos acréscimos o outro marcasse um gol que lhe desse uma "sobrevida" para a disputa final do título. 
    Óbvio que numa disputa é melhor sair ganhando do que perdendo... e ainda usando a imagem do futebol, quem está atrás no placar vai ter de se desdobrar pra empatar e virar o jogo. 
    E onde o petista vai ter de buscar esses 2.224.965 votos para, pelo menos, empatar? Claro que terminar empatado é extremamente improvável. Pelos milhões de eleitores. Mas se isso acontecesse, pela legislação eleitoral, o candidato mais idoso seria declarado vencedor...
    Vamos para a "vida prática": Lula vai precisar buscar, em primeiro lugar, nos candidatos derrotados mais votados. O terceiro colocado, Augusto Cury que fez 3.448.569; Renan Santos com 2.675.887; e Ronaldo Caiado e seus 2.605.148. Para o petista o grande problema é que são candidatos de direita e de extrema direita.  Com certeza não devem recomendar voto em quem é "de esquerda". A tendência é que se aliem ao bozonarismo no segundo turno. E a problabilidade é a maior parte desses votos irem para Flávio.
    Então Lula já perdeu? A possibilidade de tirar essa diferença (do primeiro turno), é muito difícil, mas não impossível.
    Nesse 4 de outubro, a abstenção (pessoas que não foram votar) chegou a 21,08% ou seja, exatamente, 33.469.244 votos. O trabalho (incansável!) é ir buscar uma parte dessa gente.
    E ainda: 5.975.947 eleitores anularam o voto. Bora convencer uma fatia deles a não anular no segundo turno. É difícil. Mas político é pra isso.
    A bola vai rolar no terceiro domingo. 

    * A imagem tem o auxílio da I.A.


domingo, 4 de outubro de 2026

"𝑵Ã𝑶 𝑷𝑬𝑹𝑪𝑨 𝑺𝑬𝑼 𝑽𝑶𝑻𝑶! 𝑽𝑶𝑻𝑬 𝑬𝑴 𝑸𝑼𝑬𝑴 𝑽𝑨𝑰 𝑮𝑨𝑵𝑯𝑨𝑹!"

    




       Essa é uma tática que já é menos usada em período eleitoral. Talvez até pelo bombardeio das redes sociais. Em eleições anteriores (de uns 15 ou 20 anos atrás) era mais comum: Cabos eleitorais iam para as ruas e tentavam convencer as pessoas a não "perderem" o voto. 
    Ou seja, que votassem em quem estivesse na frente nas pesquisas. Votar em determinado candidato - mesmo sem convicção - seria bom para também "ganhar" a eleição. Era o sentimento de "pertencimento" a um grupo vencedor. Efeito manada daqueles tempos...
    A maior questão que temos aqui é que o voto deve (deveria...) ser por convicção. Por acreditar em determinado candidato e/ou propostas, ideias. Mesmo que esse candidato não fosse eleito, a pessoa teria cumprido a sua missão de cidadão, de crer em determinada visão de governo, de planos.  Perde-se uma eleição, mas se pode ganhar outra.
    "Não perca seu voto. Vote em quem vai ganhar!" Aqui precisamos lembrar duas situações. Primeiro quando a mensagem é para dar essa (falsa) sensação de vitória. E não importa de quem. Segundo: essa tática pode ser usada no chamado "voto útil". Com o cabo eleitoral afirmando: "Teu candidato vai perder mesmo, vote com a gente para que o fulano nosso adversário não ganhe".
    Cientistas políticos ouvidos pelo Bora Pensar! afirmam que esse método inibe a pluralidade de ideias, força uma polarização ainda no primeiro turno e deixa mais pobre o debate democrático.
    O debate é mais amplo do que se pareça. Votar é um direito mas que exige muita responsabilidade. Quantas vezes você já não ouviu falar de candidatos que davam bolas e/ou uniformes de times para ganhar votos. Conheci, por exemplo, um cidadão que era dono de loja de sapatos. Ele fazia o seguinte acordo: "Leva de graça um pé de sapato. Se eu for eleito, vem buscar o o outro pé".
    Isso é imoral e ilegal.
    E a política é tão séria - e merece respeito - que também deveria ser ensinada (de forma apartidária, óbvio) na escola. Tão importante quanto a educação financeira. 
    Cidadãos conscientes, estudados e informados votam melhor.
    Aí se o candidatos que escolherem forem vencedores, melhor para eles.
    Melhor para todos. Melhor para a democracia!

    * A imagem tem o auxílio da I.A.

A HISTÓRIA (𝗡𝗔𝗗𝗔 𝗦𝗘𝗖𝗥𝗘𝗧𝗔!) DA REDE GLOBO: "𝗠𝗨𝗜𝗧𝗢 𝗔𝗟É𝗠 𝗗𝗢 𝗖𝗜𝗗𝗔𝗗Ã𝗢 𝗞𝗔𝗡𝗘"

    




       Na semana do primeiro turno das eleições, o Brasil viu que o debate que a TV Globo queria fazer com os candidatos à Presidência esfarelou, virou pó, derreteu, dissolveu. A "estratégia" da emissora  era: Com Lula (PT) fora (comunicou que não iria com dois dias de antecedência...), iria deixar uma cadeira vazia no cenário (ô falta de ética e de educação!) para deixar claro que o candidato "fugiu" do debate. Mas... horas antes do programa, de uma ministra do TSE veio a ordem: Não pode deixar cadeira vazia.  Mais: a TV da família Marinho não queria Renan Santos (Partido Missão)  no debate. Motivo: Sem Lula, Renan seria o único que iria pra cima de Flávio Bozonaro (PL) e iria bater nas histórias de Master, rachadinhas, orgias, milícias  etc... Aí, do STF veio a ordem: É obrigatório convidar o Renan. Com isso, quem mostrou que era realmente o fujão era Flávio Bozó. Na noite do programa ele se escafedeu com medo do confronto com Renan. Resultado: Sem seu (dela) candidato favorito (Flávio)  para debater, a emissora decidiu simplesmente cancelar o programa.
    Essa pequena introdução é para contextualizar com um fato recente, o modus operandi da Rede Globo. Uma TV que nasceu para ser conservadora politicamente.  E faz o que pode (e o que não pode!) para defender seus interesses. E os políticos são apenas seus "amigos" da vez. Desde a redemocratização já foi assim com Sarney, Collor, FHC, Temer, Jair Bozonaro e, agora, Flávio. 
    Se o objetivo é alcançado e o sujeito quer colocar as manguinhas de fora, a Vênus Platinada descarta o elemento. 
    Isso e muito (muito!) mais está contado no documentário britânico "Muito Além do Cidadão Kane" (1993). Ali está a história da TV Globo (desde o início) e do fundador dela, Roberto Marinho (1904-2003). E todas as manipulações políticas dele. 
    Passa pelo apoio ao golpe militar de 1964 e aos governos da ditadura. Marinho tinha vários políticos na mão (no sentido da política) que atendiam os interesses da empresa dele.
    O doc também destaca a tentativa de "dar um migué" na eleição de Leonel Brizola (1922-2004) para o governo do Rio de Janeiro com uma totalização paralela dos votos. Armando Nogueira (1927-2010), ex-diretor de jornalismo, dá uma explicação bizarra para o que aconteceu e culpa a empresa que prestou o "serviço" de totalização dos votos...
    Ainda: falamos em debate, lá no começo. Pois em 1989 aconteceu uma das maiores vergonhas, um crime jornalístico/político com o debate Lula x Collor no segundo turno.  Como o Brasil sabe (e a emissora reconheceu o "erro" anos mais tarde..) a Globo fez uma edição bandida do debate favorecendo Collor - como se ele tivesse "vencido" - e colocou no ar no Jornal Nacional. Numa entrevista à própria emissora, Boni (então diretor-geral), confessou que ele e seus assessores "prepararam" Collor para o debate...
    Nesse caso, Armando Nogueira (que afirmou "não saber" dessa edição) foi reclamar com Roberto Marinho e acabou aposentado compulsoriamente. 
    De 1993 pra cá (ano em que o documentário foi feito) a gente sabe de outras tantas que a Vênus Platinada aprontou. Por exemplo, cancelou 2 debates porque FHC não iria participar; apoiou o afastamento da presidente Dilma (PT); apoiou a operação Lava Jato, que mandou Lula para a cadeia. Ou seja, a folha corrida é enorme...
    "Muito Além do Cidadão Kane" está disponível (de graça!) dublado no YouTube. Só para não confundir com outras produções, esse documentário tem 1h33min.

sábado, 3 de outubro de 2026

ELEIÇÕES: 𝗔 "𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗔 𝗣𝗘𝗗𝗥𝗔" É AGORA... PAUS E PEDRAS! NO PASSADO, NÃO TÃO DISTANTE, 𝗛𝗔𝗩𝗜𝗔 𝗖𝗜𝗩𝗜𝗟𝗜𝗭𝗔ÇÃ𝗢

                             



    As coisas mudaram! Em todos os sentidos, em todas as pessoas, em todos os lugares. Bons tempos em que todo mundo ia votar sem apreensão. Você ia lá, votava, voltava pra casa e, no dia seguinte, no trabalho, na faculdade, ou num encontro de amigos, falava em quem votou. Teu colega/parente também dizia. E não havia medo de levar um sopapo. Um xingão. 
    Você, meio protocolarmente, desejava "boa sorte" para o eleito (se não fosse o teu candidato...) e pra quem votou nele. E era vida que seguia...
    Aquele era o normal.
    Mas o normal mudou.... "evoluiu"? Não. Regrediu! O ser humano involuiu.  A paciência na política acabou. Ficou lá pela década de 1990. O que temos, agora,  se chama intolerância.
    Para buscar respostas para essa mudança radical (que começou, mais ou menos, há uns 10 anos) o Bora Pensar! ouviu e leu especialistas em história, em ciências políticas e ciências sociais.  Portanto, não é "achismo" de rede social, não é "tese" de criador de conteúdo digital. É gente que estudou, que entende do baralho. Eis:
    Esses especialistas são unânimes:  O debate político saiu do discurso para tiro, porrada e bomba devido a um coquetel de fatores de mudança na sociedade.
    A comunicação era "centralizada". A informação era passada quase que exclusivamente por TVs, rádios e jornais. Havia um consenso de "equilíbrio" editorial para evitar discursos extremistas. 
    Como vosso humilde escriba afirmou lá no começo, o convívio social era no trabalho, na faculdade, na igreja, em sindicatos e em clubes. Nesses lugares, pessoas de visões políticas diferentes tinham a mesma rotina. Pela convivência, os que pensavam diferente acabavam "se acertando". Um ditado exemplifica bem isso: "Com o andar da carroça, as melancias se ajeitam".
    Mas tudo começou a mudar com as novidades tecnológicas e com novos hábitos da chamada "sociedade moderna". Oi???  O surgimento da internet (e logo depois das redes sociais - as "antissociais")  as pessoas passaram a conviver - quase que exclusivamente - com quem pensava de forma igual a elas. A tolerância foi diminuindo até que foi para o espaço.
    O "Uga Uga" já estava pensando assim: "Agora eu sou dono da comunicação! Escrevo o que eu quero, xingo quem eu quero! Tenho liberdade de expressão. Não preciso provar nada! Só dizer o que eu quero!". Nosso "amigo" "Uga Uga" só esqueceu que internet não é terra sem lei.... e que liberdade de expressão não é liberdade de agressão. 
    Esse "empoderamento" abriu um novo capítulo na história: Política não é mais apenas gestão pública. Ela serve para definir quem é nosso amigo e quem é nosso inimigo.  E isso me faz lembrar uma citação de Ernest Hemingway: "Quem está ao nosso lado nas trincheiras importa mais do que a própria guerra".
    E por que a política saiu da mesa dos pensadores para a trincheira dos combatentes? De onde vem a violência?  Fui verificar e era de onde eu já imaginava. Pesquisadores indicam que episódios de violência envolvendo política são associados (em uma parcela expressiva) à extrema direita. Isso em todos os lugares do planeta.
    Quer dados e fontes? O ADL - Prosecution Project e a Anti-Defamation League indicam que o extremismo de direita liderou estatísticas de mortes e incidentes violentos por motivação política nos EUA na última década.
    Mais: Retórica autoritária, negacionismo eleitoral ("as urnas eletrônicas não são seguras", lembra?) e a ligação com milícias e militarismo favorecem que haja um rompimento institucional. Dois exemplos: Em 8 de janeiro de 2023, baderneiros bozonaristas fizeram um quebra-quebra na Praça dos Três Poderes em Brasília. Dois anos antes, em 6 de janeiro de 2021, bandidos trumpistas invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
    E o combustível para toda essa baderna/intolerância vem de um lugar chamado "redes sociais". O algoritmo (que é manipulado pelas multinacionais do setor) não quer saber de paz.  Ele foi criado para incentivar o conflito, em vez de buscar o consenso.
    Portanto, "faça amor, não faça guerra" é um discurso cada vez mais distante.
    Voltamos à Idade da Pedra.
    Boa eleição!

    * A imagem tem o auxílio da I.A.