As coisas mudaram! Em todos os sentidos, em todas as pessoas, em todos os lugares. Bons tempos em que todo mundo ia votar sem apreensão. Você ia lá, votava, voltava pra casa e, no dia seguinte, no trabalho, na faculdade, ou num encontro de amigos, falava em quem votou. Teu colega/parente também dizia. E não havia medo de levar um sopapo. Um xingão.
Você, meio protocolarmente, desejava "boa sorte" para o eleito (se não fosse o teu candidato...) e pra quem votou nele. E era vida que seguia...
Aquele era o normal.
Mas o normal mudou.... "evoluiu"? Não. Regrediu! O ser humano involuiu. A paciência na política acabou. Ficou lá pela década de 1990. O que temos, agora, se chama intolerância.
Para buscar respostas para essa mudança radical (que começou, mais ou menos, há uns 10 anos) o Bora Pensar! ouviu e leu especialistas em história, em ciências políticas e ciências sociais. Portanto, não é "achismo" de rede social, não é "tese" de criador de conteúdo digital. É gente que estudou, que entende do baralho. Eis:
Esses especialistas são unânimes: O debate político saiu do discurso para tiro, porrada e bomba devido a um coquetel de fatores de mudança na sociedade.
A comunicação era "centralizada". A informação era passada quase que exclusivamente por TVs, rádios e jornais. Havia um consenso de "equilíbrio" editorial para evitar discursos extremistas.
Como vosso humilde escriba afirmou lá no começo, o convívio social era no trabalho, na faculdade, na igreja, em sindicatos e em clubes. Nesses lugares, pessoas de visões políticas diferentes tinham a mesma rotina. Pela convivência, os que pensavam diferente acabavam "se acertando". Um ditado exemplifica bem isso: "Com o andar da carroça, as melancias se ajeitam".
Mas tudo começou a mudar com as novidades tecnológicas e com novos hábitos da chamada "sociedade moderna". Oi??? O surgimento da internet (e logo depois das redes sociais - as "antissociais") as pessoas passaram a conviver - quase que exclusivamente - com quem pensava de forma igual a elas. A tolerância foi diminuindo até que foi para o espaço.
O "Uga Uga" já estava pensando assim: "Agora eu sou dono da comunicação! Escrevo o que eu quero, xingo quem eu quero! Tenho liberdade de expressão. Não preciso provar nada! Só dizer o que eu quero!". Nosso "amigo" "Uga Uga" só esqueceu que internet não é terra sem lei.... e que liberdade de expressão não é liberdade de agressão.
Esse "empoderamento" abriu um novo capítulo na história: Política não é mais apenas gestão pública. Ela serve para definir quem é nosso amigo e quem é nosso inimigo. E isso me faz lembrar uma citação de Ernest Hemingway: "Quem está ao nosso lado nas trincheiras importa mais do que a própria guerra".
E por que a política saiu da mesa dos pensadores para a trincheira dos combatentes? De onde vem a violência? Fui verificar e era de onde eu já imaginava. Pesquisadores indicam que episódios de violência envolvendo política são associados (em uma parcela expressiva) à extrema direita. Isso em todos os lugares do planeta.
Quer dados e fontes? O ADL - Prosecution Project e a Anti-Defamation League indicam que o extremismo de direita liderou estatísticas de mortes e incidentes violentos por motivação política nos EUA na última década.
Mais: Retórica autoritária, negacionismo eleitoral ("as urnas eletrônicas não são seguras", lembra?) e a ligação com milícias e militarismo favorecem que haja um rompimento institucional. Dois exemplos: Em 8 de janeiro de 2023, baderneiros bozonaristas fizeram um quebra-quebra na Praça dos Três Poderes em Brasília. Dois anos antes, em 6 de janeiro de 2021, bandidos trumpistas invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
E o combustível para toda essa baderna/intolerância vem de um lugar chamado "redes sociais". O algoritmo (que é manipulado pelas multinacionais do setor) não quer saber de paz. Ele foi criado para incentivar o conflito, em vez de buscar o consenso.
Portanto, "faça amor, não faça guerra" é um discurso cada vez mais distante.
Voltamos à Idade da Pedra.
Boa eleição!
* A imagem tem o auxílio da I.A.










